LIVING ALONE: The Journey / Enjoying Your Own Company

terça-feira, 17 de abril de 2018

Quem me conhece bem sabe que sempre sonhei em ter o meu apartamento. Apesar da minha família me ter dado desde miúdo o espaço e a privacidade necessários, nunca tencionei ficar por longos anos em casa dos meus pais. Sempre fui muito independente e dono de mim mesmo e, talvez por isso, o meu objetivo tenha sido sempre arranjar um emprego e, de seguida, mudar-me para o meu apartamento.

Infelizmente ou não - e tal como vos disse aqui -, isso acabou por acontecer mais precocemente do que era suposto. Dessa forma, não houve muito tempo para me mentalizar que ia realmente ter o meu espaço e a minha privacidade. Foi, de certo modo, um choque de realidades a partir do momento em que abri pela primeira vez a porta de casa do meu apartamento e me apercebi que o silêncio reinava naquele espaço. Isso, para um rapaz de vinte anos que sempre viveu com mais quatro pessoas numa casa, é assustador.

As primeiras semanas foram dolorosas. Quando chegava a casa perto das 19h e me apercebia que estava sozinho, não conseguia estar realmente feliz. Sentia que faltava o barulho que sempre caracterizou a minha casa e, por isso, tentava sempre ocupar a minha cabeça com tudo e mais alguma coisa. Chegava a casa, ia tomar banho com companhia de uma playlist qualquer que pudesse cantar, fazia o jantar com a televisão ou o computador com uma série aleatória, arrumava constantemente a casa e mudava os móveis de sítio uma e outra vez e, por fim, ligava à minha mãe a contar como o dia tinha corrido. No início foi esta a rotina que adoptei para que o silêncio nunca se fizesse ouvir dentro daquelas quatro paredes. Já nas minhas folgas, a solução era fácil: ir para casa dos meus pais (que fica a uma hora de transportes públicos do meu apartamento).

Adaptar-me no trabalho foi bastante complicado também e sei que isso foi uma das razões para ter detestado os primeiros tempos de vida adulta. Isto porque não conseguia desligar-me dos meus problemas pessoais enquanto trabalhava e, em casa, não conseguia desligar-me da minha vida profissional e do passo que tinha acabado de dar. Isto influenciou bastante o meu mood diário e afetou ainda mais a minha ansiedade.

Posso garantir-vos que os dois primeiros meses foram passados com um vazio no estômago, sempre negando e evitando a minha nova vida. Aproveitei o meu desgaste emocional e, assim que tive férias, fui a Portugal visitar os meus familiares. Durante dez dias não tive paz: andava de um lado para a outro, de casa em casa, sempre com companhia. Se por um lado foi uma ótima maneira de matar saudades dos meus familiares, por outro surgiu uma certa saudade do meu espaço e da minha privacidade. Aquilo que eu evitei durante dois meses estava a fazer-me falta. Irónico, certo?

Foi aí que decidi que, quando regressasse a casa, teria de mudar o jogo. Quando chegasse ao meu espaço teria que o aproveitar da melhor maneira. Estava a viver algo que sempre quis. Tinha-me finalmente adaptado no novo emprego, tinha um apartamento pequenino e acolhedor a que podia chamar meu e, o mais especial, tinha a minha própria companhia. Porque raio não estava a aproveitá-la?

Quando regressei das férias, passei a visitar os meus pais só ao fim-de-semana. Aproveitava as folgas durante a semana para me organizar, para arrumar a casa, para combinar almoços ou cafés com amigos e, o mais importante, para descansar. Descansar foi sempre algo que eu não conseguia fazer direito nos primeiros meses, precisamente por me obrigar a fazer algo para que não me sentisse sozinho. Foi a partir dali que consegui enxergar o que era viver sozinho e que benefícios a vida adulta tinha.

Este é o primeiro passo - e o mais importante - para que possam sentir-se bem sozinhos: aceitar que a vossa vida mudou e que têm de vivê-la da melhor maneira possível. Estar sozinho e aproveitar a vossa companhia enquanto vivem com outras pessoas é fácil, mas quando ficam realmente sozinhos e são confrontados com muito tempo livre e sem ninguém à volta, torna-se assustador e é importante que não se deixem abalar. Procurem sempre fazer algo, tal como eu fiz, até sentirem que podem deitar-se no sofá descansados sem que o silêncio vos consuma. Porque aproveitar a vossa própria companhia também é isso: ter momentos sem nada para fazer, deitados e em silêncio, e conseguirem tornar isso numa experiência do caraças, que tão bem faz às nossas almas.

Quando a situação é aceite por vocês, já têm o caminho livre para que tudo o resto corra da melhor forma. Os jantares feitos por vocês serão saboreados de outra maneira, aquela série que vêem e vos faz falar sozinhos tornar-se-à ainda mais interessante, os banhos podem demorar um pouquinho mais sem que ninguém vos chateie a cabeça. Há tempo para ler e escrever, para meter aquele disco incrível enquanto se deitam e aproveitam o momento de estarem ali, vivos, a pensar nos melhores momentos do dia e nos objetivos de vida. Afinal, já realizaram uma das grandes etapas da vida: estão a viver por vossa conta.

- fotografia da minha autoria, não utilizar sem autorização prévia -

PERSONAL / About Loving Myself(ie)

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Adoro fotografar. O meu Instagram é cheio de imagens que envolvem a Natureza, a Comida e muitos lugares e detalhes bonitos - aos meus olhos, pelo menos -. Uma das coisas que mais gosto de fotografar, aliás, é o Céu. Mas há algo que eu não consigo fotografar - e publicar - com frequência e as pessoas perguntam-me porquê. Conseguem adivinhar o quê? Pronto, se não conseguem, passem pela minha conta, façam scroll no meu feed e voltem cá. Chegaram lá? É isso mesmo.

A mim próprio. Seja no feed ou na stories, são raras as vezes que publico fotografias minhas. E, quando o faço, raramente são selfies só minhas - há sempre alguém ao meu lado -. Até há uns meses eu não me teria apercebido disto, mas com tanta chamada de atenção (acredito que sem maldade) de várias pessoas, eu comecei a pensar no assunto. Cada vez mais. E perguntei-me imensas vezes o porquê de raramente publicar fotografias minhas. Ou, quando o faço, porque é que raramente estou sozinho ou, se estiver, porque é que costumo tapar um bocadinho da cara com o telemóvel. Parece-vos estranho? Voltem a passar pelo meu feed e verão que não estou a mentir.

A razão... bem, a razão pode não ser só uma. Podem ser várias, na verdade. Eu normalmente respondo sempre às pessoas que, simplesmente, não gosto de tirar fotografias a mim próprio. E não deixa de ser verdade. Quando o faço, descubro sempre detalhes mínimos que me fazem não gostar da fotografia e nem uma boa edição é capaz de me fazer publicá-la. E não tem nada a ver com aquela borbulha ou a cara de enjoadinho que me acompanha diariamente. É sempre um conjunto de coisas, às vezes mínimas. Outras vezes inexistentes aos olhos dos outros. Sabem do que falo? Exatamente, é isso. Resume-se numa única palavra: auto-estima. Ou auto-confiança, se preferirem. A falta delas. O facto de conseguirmos olhar para a fotografia e achar que estamos uns borrachos.

Na minha adolescência sempre sofri imenso com a minha (falta de) auto-estima. Não me quero alongar muito (para já!) neste assunto, mas posso adiantar-vos que sempre tive uma necessidade de me esconder. As roupas escuras, o cabelo longo a tapar-me a face ou o facto de eu me afastar sempre de multidões são exemplos da força que a falta de auto-estima tinha perante a minha pessoa. E sempre o soube. Mas durante muito tempo não liguei nem quis mudar a situação. Criei uma bolha à minha volta e, na maioria das vezes, sentia-me protegido por ela. Isso bastava para conseguir viver a minha realidade. 

Voltando ao assunto das fotografias, posso até adiantar-vos que já fiquei meses e meses sem tirar fotografias. Se nas saídas à noite ou nos passeios com os amigos, o Snapchat ou as stories não se metessem entre nós, talvez fosse o dobro dos meses sem tirar fotografias. E não, não me interpretem mal. Eu não me olho ao espelho e penso que sou feio, que preciso de me esconder e que não quero que ninguém me veja. Felizmente nunca tive uma sensação tão macabra quanto essa - e espero mesmo que nenhum de vocês que me lê também não -, mas há momentos e situações em que prefiro retirar-me e não me mostrar. Porque não me acho fotogénico e porque, simplesmente, não gosto de tirar fotografias a mim próprio.

Não sei ao certo porque estou a escrever esta publicação. Talvez fizesse mais sentido quando eu superasse toda esta situação. Talvez fizesse mais sentido eu falar-vos do assunto quando já não me importasse de partilhar selfies ou quando não pedisse aos meus amigos para me mostrarem todas as fotos que tirámos para que eu, então, lhes desse permissão para as publicar nas redes. Talvez, talvez. Mas talvez seja isto mesmo que eu precise para resolver este problema: expondo-o e explicando-o ao mundo. Para que eu ganhe consciência de que ainda há um longo caminho para que me sinta confiante ao ponto de não me importar com simples fotografias. São só isso... fotografias. 


#7DOS / The End

quarta-feira, 28 de março de 2018


Flop: é esta a palavra certa para descrever a minha participação na Maratona do #7DOS. Eu já sabia que ia ser complicado, devido principalmente ao trabalho que me ocupa literalmente o dia todo, mas as coisas complicaram-se ainda mais quando surgiu um aniversário, um jantar de amigos e outras tantas coisas da vida real. Conclusão: foi complicadíssimo ver ou ler alguma coisa e o flop é real!

Da lista de livros e filmes, só consegui tocar num deles: o Boa Noite, da Pam Gonçalves. E nem assim o terminei. Fiquei nos míseros 61% do livro. Para já, estou a gostar da história, apesar de ser muito american teenagers life - coisa que já não tenho muita paciência. Mesmo assim acho a escrita da Pam acessível e dá para sentir certa empatia com a personagem principal (coisa que eu costumo ter dificuldade). Falar-vos-ei mais sobre o mesmo quando o terminar, é claro. Se tudo correr bem, será ainda esta semana.

Sobre a segunda parte do desafio - as publicações diárias no blogue -, acho que correu muitíssimo bem. Atrasei-me numa delas, mas de resto saiu tudo a horas e tal como eu pretendia. Também adorei ler as vossas, apesar de não ter comentado muita coisa. Foi muito bom chegar ao feed e ver algumas publicações do #7DOS. Mais um projeto que adorei organizar.

Resta-me agradecer a todos os envolvidos. Obrigado a todos aqueles que se decidiram participar no #7DOS e, claro, um agradecimento especial às minhas meninas, Sofia e Lyne. Sem elas o projeto não teria visto a luz do dia e fiquei imensamente feliz por tê-las a meu lado. É para repetir, como é óbvio.


/ BLOGS QUE PARTICIPARAM

The Avenue


Thank y-o-u. E até à próxima.

#7DOS / Day Seven

terça-feira, 27 de março de 2018


Sendo a música indie - rock, pop ou folk - um dos meus géneros de música de eleição, seria óbvio que este desafio seria extremamente difícil para mim. A verdade é que a maioria dos artistas deste género musical conseguem, com praticamente todas as músicas, acalmar-me e fazer-me desligar do mundo real - algo que se torna cada vez mais complicado -. Mesmo assim, quis tentar fazer uma playlist diversificada e acho que o desafio foi superado. 

Normalmente quando chego a casa depois do trabalho, o relógio marca as 19h. E é nessa altura que eu tento desligar-me de tudo o resto e aproveitar os momentos que tenho para descontrair e ver-me livre de tudo aquilo que me preocupou desde que saí da porta para fora. É muito difícil eu conseguir fazê-lo a 100%, mas sem dúvida que a música ajuda bastante. Não propriamente esta playlist, não propriamente músicas calminhas, mas a música simplesmente ajuda. Mas acho, muito sinceramente, que vou dar um uso enorme a esta lista de músicas - sim, eu criei a playlist especialmente para a apresentar hoje -, até porque já tive uma muito semelhante no Verão (e que fez maravilhas). 

Mas sem mais rodeios, aqui está. Não vos vou apresentar álbuns, mas não descarto a possibilidade de fazê-lo noutro dia qualquer. Tenho um monte deles para vos falar. E-n-j-o-y.


#7DOS / Day Six

segunda-feira, 26 de março de 2018


O Instagram é a rede social que mais gosto, que mais visito e que mais me inspira. Adoro feeds organizadinhos, contas temáticas (de livros, por exemplo) e de sentir aquela inveja saudável das pessoas que sigo. Claro que estou por dentro da verdadeira realidade do Instagram - ninguém tem a vida perfeita que aparenta ter nesta rede social -, mas sonhar e deixar-mo-nos inspirar com fotografias dos outros é bonito. E é por isso que vou sempre defender o Instagram. 

Neste sexto dia de #7DOS, decidi trazer-vos quatro contas que eu realmente gosto. A primeira é uma blogger que vocês provavelmente já conhecem, a segunda é de uma youtuber brasileira que adoro, a terceira é uma conta temática de livros e, por fim, trago-vos um feed de viagens. Vale muito a pena seguirem todos eles!

@inesmts 
@barbara_matsuda



@booknerd_reads

@joaocajuda

Vejam também as sugestões da Sofia e da Lyne.

#7DOS / Day Five

domingo, 25 de março de 2018


Quando ficou decidido que um dos temas do #7DOS seria "Livros que te fazem lembrar a Primavera", eu já sabia que teria grande dificuldade em escrever esta publicação. Primeiro porque (ainda) não li muitos livros na minha vida para que conseguisse categorizá-los desta forma e, segundo, porque nunca li nenhum livro passado na Primavera (isso seria a saída mais fácil, eu sei, mas seria válida na mesma). Foi então que falei com a Sofia sobre o assunto e ela, claro, arranjou a solução. Falou-me do Milk and Honey - livro que eu li este ano - e a escolha parecia mais óbvia do que nunca. Como é que não me lembrei da obra da Rupi Kaur?

Certamente já viram a capa deste livro - ou citações do mesmo -, em redes sociais tipo Instagram ou Tumblr. O Milk and Honey é exatamente aquele livro que se tornou popular por ser bonitinho e inspirador. Para quem não conhece, o livro é um conjunto de poesias sobre temas como o amor, a perda ou o abuso infantil. Os textos estão divididos em quatro partes: a dor, o amor, a separação e a cura. E muitos deles têm ilustrações minimalistas que dão um toque especialíssimo e delicado ao livro. É uma leitura rápida, mas que nos faz refletir muitas vezes (foram imensas as frases que destaquei no livro). 

Lançado inicialmente pela própria autora na Amazon, Milk and Honey tornou-se rapidamente num fenómeno mundial e que merece a nossa total atenção. O que me fascinou mais no livro foi o facto de não percebermos detalhadamente o que a autora vivenciou, mas que com as palavras certas nos faz sentir a dor e a alegria que iríamos sentir se soubéssemos da história completa. São pequenas frases que impactam e que não nos deixam, de todo, indiferentes.



Passem pelos blogues da Sofia e da Lyne para ficarem a par das suas escolhas!

#7DOS / Day Four

sábado, 24 de março de 2018



Vocês sabem que eu adoro música. E publicações que envolvam esse tema - mesmo que indiretamente -, são sempre das minhas favoritas de escrever. E apesar de adorar falar-vos de álbuns, novos artistas ou de músicas aleatórias que trago no coração, também adoro partilhar com vocês as playlists que eu próprio faço. E, como é óbvio, fazer uma playlist para a Primavera foi um dos meus desafios favoritos do #7DOS.

Com o final do Inverno, regressam os dias longos, as cores vivas e a nossa própria alegria só tem razões para aumentar. Apesar dos dias (ainda) frios, já há aquela vontade louca de nos soltarmos, de fazer muita coisa e de aproveitar cada minutinho do dia (pessoalmente acho que o Inverno tira muita vida, por causa do frio excessivo e dos dias que acabam às cinco da tarde). Foi precisamente isso que quis trazer para a playlist que hoje vos apresento! O início é mais calmo, com melodias bonitas e limpas. Letras fofinhas, um ritmo mais lento. Com o passar das músicas, a minha playlist fica mais dançante, mais catchy e com mais power - as últimas músicas são latinas e a playlist acaba com um cheirinho a noites de Verão -. Espero (mesmo!) que gostem. Ah... como é óbvio, deixem-me as vossas playlists porque quero seguir todas. Quero mesmo!


Não se esqueçam de passar pelos blogues da Sofia e da Lyne para saberem o que elas andam a ouvir!
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